Cobrança de dívidas é área problemática em Portugal e afasta investidores Imprimir
No Dia Europeu da Justiça Cível, que se assinala hoje, advogados, magistrados e funcionários judiciais apontam a cobrança de dívidas como uma das áreas mais problemáticas e de maior constrangimento do sistema judicial, impedindo um maior investimento estrangeiro em Portugal.

Para o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), Fernando Jorge, a Justiça Cível é provavelmente a maior “culpada” do constrangimento processual que se verifica na generalidade dos tribunais. “Isso deve-se fundamentalmente à acção, ou falta dela, por parte do legislador. Por exemplo, a existência de um Código de Processo Civil excessivamente burocrático, com mais de 1.500 artigos, é um factor que em nada contribui para a desejada celeridade e simplificação processual”.

Para Luís Menezes Leitão, advogado e professor de Direito, o “maior problema” da Justiça Cível é a cobrança de dívidas, considerando que a reforma da acção executiva veio “agravar” a situação, pois os “bloqueios” que se verificavam nos tribunais de Lisboa e Porto “generalizaram-se a todo o país”.

A privatização da acção executiva, com a entrega do “controlo” da acção de cobrança de dívidas ao solicitador de execução (figura criada pela reforma), não melhorou a Justiça Cível, segundo Menezes Leitão, sendo que a “extrema dificuldade” em concretizar este tipo de acção tornou Portugal “num paraíso para os incumpridores”.

Menezes Leitão alertou para um fenómeno “perverso” que se está a verificar na Justiça Cível que é o uso de processos de insolvência como forma para cobrar dívidas, quando a insolvência devia ser para situações em que o devedor não tem capacidade para cumprir as obrigações.

Com a utilização deste expediente, os Tribunais de Comércio estão “numa situação complicada”, deixando investidores estrangeiros “bastante desiludidos” e “desmotivados” em investir em Portugal, explicou.

O presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), António Martins, reconheceu também que “a componente executiva da área cível está a funcionar muito mal” e que existe “a sensação” em Portugal de que “não se consegue cobrar uma dívida, não se consegue fazer um despejo, não se consegue executar uma sentença do próprio tribunal”.

A elevada carga de processos cíveis por juiz na primeira instância e a consequente morosidade das decisões foram outros problemas levantados por António Martins, que, como aspecto positivo, sublinhou o facto de ao nível dos Tribunais da Relação os recursos estarem a ser julgados numa média de quatro a cinco meses e no Supremo Tribunal de Justiça num prazo ainda inferior.

 

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >

Autenticação

Recortes de Imprensa
  • Notícias >> Recortes
    1. A falta de credibilidade da justiça portuguesa está a tornar-se muito preocupante. As pessoas conscientes começam a sentir isso de forma irreversível. Ora a justiça, no sentido mais amplo do termo, isto é, todo o processo judicial - juízes, Ministério Públi- co, Polícia Judiciária, advogados, solicitadores, funcionários judiciais -, é o pilar fundamental do nosso Estado de direito, tal como o define a Constituição, e uma das bases principais da nossa democracia. Se perde credibilidade, como tem vindo, repetidamente, a acontecer, é a própria democracia que entra em risco. O que é extremamente grave porque deixa de estar segura a nossa liberdade, como cidadãos livres de um país livre, desde a Revolução dos Cravos.
    Ler mais...
  • Notícias >> Recortes
    1. A falta de credibilidade da justiça portuguesa está a tornar-se muito preocupante. As pessoas conscientes começam a sentir isso de forma irreversível. Ora a justiça, no sentido mais amplo do termo, isto é, todo o processo judicial - juízes, Ministério Públi- co, Polícia Judiciária, advogados, solicitadores, funcionários judiciais -, é o pilar fundamental do nosso Estado de direito, tal como o define a Constituição, e uma das bases principais da nossa democracia. Se perde credibilidade, como tem vindo, repetidamente, a acontecer, é a própria democracia que entra em risco. O que é extremamente grave porque deixa de estar segura a nossa liberdade, como cidadãos livres de um país livre, desde a Revolução dos Cravos.
    Ler mais...
  • Notícias >> Recortes
    Freeport. Pinto Monteiro acusa Sindicato dos Magistrados do MP de actuar "como pequeno partido político" e garante que enquanto magistrado nunca leu um despacho como o dos procuradores Paes Faria e Vítor Magalhães. O PGR diz que é tempo de o poder político, seja ele qual for, decidir se pretende um MP autónomo ou "o actual simulacro".
    Ler mais...
Copyright 2010 Sindicato dos Funcionários Judiciais.